quarta-feira, 30 de novembro de 2016

História de Israel - A Declaração Balfour de 1917

Mais um post da série HISTÓRIA DE ISRAEL:


Texto da Declaração de Balfour (ver tradução no final do post).

A Declaração de Balfour representa a primeira vez que uma potência mundial - a Grã-Bretanha - reconheceu a necessidade de uma pátria judaica e apoiou abertamente e legitimou os esforços sionistas, numa declaração oficial. 
As raízes da Declaração de Balfour, dizem alguns, remontam a França, ao ano de 1894 - o ano do Caso Dreyfus. O Caso Dreyfus - no qual um jovem oficial judeu do Exército francês foi injustamente condenado por traição e exonerado depois de uma longa prisão - chocou os judeus do mundo inteiro. Eles perceberam que não havia lugar seguro para o povo judeu, excepto na sua pátria ancestral, e os sionistas judeus em todo o mundo foram levados à acção. Quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914, o movimento sionista ganhou ímpeto. 

Harry S. Truman (presidente dos Estados Unidos) e Chaim Weizmann (presidente de Israel). 

Chaim Weizmann, cientista e líder sionista - e mais tarde o primeiro presidente de Israel - foi um importante defensor da restauração da independência na pátria judaica. Também foi um químico prestigiado, cujos trabalhos auxiliaram o esforço de guerra britânico na Primeira Guerra Mundial. 
As discussões entre Weizmann e o então Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Lord Arthur Balfour, tinham começado uma década antes da guerra, e Weizmann, juntamente com o líder sionista e o cidadão britânico Nahum Sokolow, foi essencial para avançar com a legislação necessária. 

Weizmann e correlegionários em Manchester, Reino Unido.


Em Novembro de 1917, Lord Balfour enviou uma carta ao Barão Rothschild, líder da comunidade judaica britânica, declarando o compromisso da Grã-Bretanha de estabelecer uma "pátria nacional para o povo judeu". Embora não declarasse formalmente a Palestina (a Terra de Israel, então sob domínio britânico) como "a" Pátria dos judeus, foi a primeira vez que as aspirações sionistas foram oficializadas. 


Arthur Balfour (1848 - 1930)


A declaração foi aceite pela Liga das Nações em 1922. Graças a ela, os judeus na Terra Santa conseguiram passar a gerir os seus próprios assuntos internos e economia, e a vida cultural judaica floresceu. No entanto, em 1939, a Grã-Bretanha emitiu um Livro Branco, essencialmente renegando a declaração original, e afirmando que uma pátria judaica já não era uma prioridade. A imigração para a Palestina foi severamente restringida, e, por isso, muitos judeus foram incapazes de fugir da perseguição que recrudescia na Europa Oriental e Central. 
Apesar disso, a Declaração de Balfour estabeleceu uma base sólida para realizar o sonho sionista, tornando-se o primeiro passo oficialmente sancionado para o que acabaria por se tornar o Estado Judaico moderno.





Ministério dos Negócios Estrangeiros 
2 de Novembro de 1917
Caro Lorde Rothschild, 
Tenho muito prazer em transmitir-lhe. Em nome do Governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelas aspirações sionistas judaicas que foi submetida e aprovada pelo Gabinete. 
O Governo de Sua Majestade considera favorável o estabelecimento, na Palestina, de um lar nacional para o povo judeu, e fará todos os esforços para facilitar a realização deste objectivo, entendendo-se claramente que nada poderá ser feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina ou dos direitos e status político de que gozam os judeus em qualquer outro país. 
Agradeço-lhe que leve esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista. 
Seu, 
Arthur James Balfour


Bibliografia:
Stand With Us. 

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Myths and Facts
Filme de:

Steven Spielberg Jewish Film Archive

domingo, 27 de novembro de 2016

História de Israel - Pré-Independência, Reconciliação e Terror


Velhos judeus em Jerusalém - início do século XX. A presença dos judeus na sua terra - Israel - é ininterrupta desde há mais de quatro milénios. Poucos povos e nações se podem gabar de ter tanta legitimidade histórica e jurídica.


Os modernos olim pisavam uma terra inóspita, não arável e cercada por vizinhos hostis. No entanto, os imigrantes jovens e idealistas das primeiras Aliyot não deixaram que isso os dissuadisse. Determinados a escapar de uma sociedade anti-semita na Europa, e cheios de amor pela pátria de Israel, os primeiros olim desembarcaram e deitaram mãos à duríssima tarefa de construir um país.

 "Esta é a Terra" - 1935


A primeira Aliyah, entre 1882 - 1903, estava cheia desses imigrantes, principalmente da Rússia, determinados a cultivar a terra e revitalizar a vida judaica em Israel. Eles estabeleceram cidades como Petah-Tikvah, Zichron Yaacov, Rishon LeZion e Rosh Pina. Embora não tivessem experiência agrícola ou agrária, estabeleceram assentamentos e cultivaram a terra.
Muitos partiram após alguns anos, desencorajados pela falta de sucesso, doenças desenfreadas e ataques esporádicos dos árabes locais; muitas comunidades teriam, soçobrado, se não tivesse sido o apoio do filantropo britânico Barão Edmond James de Rothschild, que ajudou a financiar os assentamentos até que ganhassem estabilidade. Os judeus das primeiras Aliyot procuraram mudar a própria natureza da Palestina, e voltar a fazer dela uma terra judaica, através de um processo de compra de tanta terra quanto possível. A comunidade árabe, alarmada com esse súbito afluxo de imigrantes judeus e compradores de terras, resistiu com ataques e tumultos em assentamentos judeus.


"19º Congresso Sionista" - 1935

A Segunda Aliyah, entre 1904 e 1914, foi uma das mais influentes, responsável pelo estabelecimento do movimento dos kibutz e pela revitalização da língua Hebraica. Os membros de Aliyah Bet fundaram o grupo de defesa HaShomer, a fim de proteger os imigrantes judeus dos cada vez mais frequentes, e mais hostis, ataques árabes. Em 1917, a Palestina tornou-se um Mandato Britânico, e  a Aliyah, que parou durante a Primeira Guerra Mundial, recomeçou.

A Terceira Aliyah, de 1919-1923, incluiu muitos imigrantes com formação agrícola que agora eram capazes de assumir a agricultura e criar uma economia sustentável.



Em 1920, os motins de Nabi Musa ocorreram dentro e ao redor da Cidade Velha de Jerusalém. As tensões com os árabes aumentaram, devido ao influxo maciço de imigrantes judeus, e os ataques multiplicaram-se. Todos os anos, os muçulmanos celebravam o feriado de Nabi Musa ( "Profeta Moisés") em Jerusalém, geralmente na época da Páscoa, e as festividades culminavam numa peregrinação de Jerusalém a Jericó, onde acreditavam que Moisés estava enterrado (mais uma distorção islâmica das Escrituras, pois o túmulo de Moisés é desconhecido, leia-se a Torá).


Durante a celebração de 1920, os discursos inflamatórios levaram a um grande surto de violência em Jerusalém, e a meio da manhã de 4 de Abril, os judeus já haviam sido vítimas de ataques. Um dos incitadores foi Hajj Amin al-Husayni, que mais tarde se tornou o Grande Mufti de Jerusalém, grande aliado de Hitler e cúmplice do Holocausto. Seu tio, Musa al-Husayni, era o presidente do município de Jerusalém.  As multidões árabes foram levadas ao frenesi, saqueando o Bairro Judeu, atacando pedestres, destruindo lojas e casas judaicas e invadindo a Yeshiva Torah Chaim, onde rasgaram os pergaminhos da Torá e incendiaram o prédio. Em apenas três horas, 160 judeus foram feridos. Durante os três dias seguintes, os tumultos e os ataques continuaram.



"Terra Prometida" - 1924

A resposta britânica foi discreta; os ocupantes britânicos fizeram pouco para deter os agitadores árabes e, em muitos casos, impediram os judeus de se defenderem. O inquérito britânico culpou os sionistas por incitarem os tumultos, apesar de terem condenado Hajj al-Husayni a dez anos de prisão em julgamento à revelia,  e removido Musa al-Husayni de sua posição de presidente. 
No rescaldo dos tumultos, a imigração judaica foi severamente restringida pelos britânicos, a fim de apaziguar a população árabe. Os judeus responderam estabelecendo movimentos militares subterrâneos, ou seja, a Haganah, a fim de estarem mais bem preparados na próxima vez.



 "Após as revoltas árabes de 1929"

No entanto, o desastre atingiu novamente os judeus do ano seguinte. Em Maio de 1921, os "motins de Jaffa" começaram quando dois grupos rivais - o Partido Comunista Judeu e o Ahdut HaAvoda - se encontraram enquanto desfilavam, e uma briga explodiu ao longo da estrada de Jaffa para Tel Aviv. A comunidade árabe em Jaffa, ouvindo os sons da luta, foi à ofensiva. Homens árabes invadiram edifícios judaicos, destruindo tudo e matando os judeus, com as mulheres seguindo logo atrás a saquear mercadorias. Os civis judeus foram brutalmente assassinados e as lojas foram demolidas. Os árabes entraram em casas judaicas e mataram os moradores desarmados, incluindo crianças. Um albergue de imigrantes foi atacado e os judeus feridos.

Desta vez, o governo britânico interveio. Dois destroyers foram enviados para Jaffa e um para Haifa. O Alto Comissário britânico tentou falar com os árabes e acalmá-los. Musa al-Husayni, que tinha sido forçado a deixar sua posição de presidente no ano anterior, exigiu uma suspensão imediata e completa da imigração judaica. Os britânicos consentiram, e foram recusados autorizações a barcos que transportavam 300 judeus , e estes enviados de volta para Istambul. 
O Grande Mufti de Jerusalém, grande aliado de Hitler, passa revista às tropas islâmicas-nazis.

Hajj al-Husayni, também indiciado nos motins do ano anterior, foi nomeado Grande Mufti de Jerusalém. No final, quase cinquenta judeus foram mortos e mais de 140 foram feridos. Os motins devastaram a cidade de Jaffa, cujos habitantes judeus fugiram para Tel Aviv, nas proximidades. 
Além disso, as relações entre os sionistas e o governo britânico deterioraram-se, quando os britânicos levaram a julgamento alguns judeus que participaram nos tumultos. A imigração judaica foi suspensa, com o propósito declarado de não perturbar a economia da Palestina.
No entanto, os ataques árabes contra judeus e assentamentos judaicos aumentaram durante a década de 1920, assim como a imigração. A Quarta Aliyah, entre 1924 - 1929, trouxe 82.000 judeus, principalmente da Polónia e da Hungria. A Haganah (antecessor das Forças de Defesa de Israel) cresceu, à medida que a Grã-Bretanha continuava a deixar os judeus indefesos e vulneráveis. 
Em Setembro de 1928, os judeus que oravam no Muro das Lamentações durante os serviços de Iom Kipur montaram suas cadeiras e telas usuais, para separar os homens e mulheres durante a oração. Os britânicos ordenaram que os judeus removessem imediatamente as telas, alegando que assim violavam a regra que proibia os judeus de construírem qualquer coisa na área do Muro Ocidental. Hajj al-Husayni usou o incidente em seu proveito, e distribuiu panfletos alegando que os judeus estavam a planear a tomada da Mesquita Al-Aqsa, a mesquita adjacente ao Muro das Lamentações (e que na realidade não é nem nunca foi a verdadeira mesquita de Al-Aqsa, que nem fica em Israel).


Quase um ano depois, em Agosto de 1929, as tensões atingiram um ponto de ruptura mais uma vez. Durante Tisha B'Av, o dia judaico nacional de luto, um grupo de judeus, liderado por Vladimir (Ze'ev) Jabotinsky, organizou uma manifestação alegando que o Muro Ocidental pertencia aos judeus. Rumores irromperam, e dizia-se que os judeus gritavam invectivas anti-muçulmanas. Depois de um sermão incendiário no dia seguinte, manifestantes árabes avançaram em direcção ao Muro e atacaram os adoradores judeus, queimaram os livros de orações e as preces em papel depositadas nas fendas do Muro. 
Em 23 de Agosto, após um boato de que os judeus haviam matado dois árabes, os árabes atacaram novamente os judeus na Cidade Velha, e a violência espalhou-se por toda a Palestina. Dezassete judeus foram mortos em Jerusalém.



"Uma Casa no Deserto" - 1947

Os piores massacres ocorreram em Hebron, onde quase setenta judeus foram mortos. Muitos dos árabes da cidade ofereceram refúgio aos seus vizinhos judeus em suas casas, mas depois de os motins terem terminado, os judeus foram forçados a evacuar, e os seus bens foram apreendidos pelos árabes até depois da Guerra dos Seis Dias de 1967. Em Safed, dezoito judeus foram mortos, e a principal avenida judaica foi saqueada e queimada.


Jabotinsky

Após os devastadores tumultos de 1929,
foi criado o grupo militar Irgun,  sob a liderança de Ze'ev Jabotinsky. O governo britânico, percebendo a situação estava a ficar fora de controle, criou a Comissão Peel, que recomendava separar a Palestina em duas regiões autónomas. O plano nunca foi executado.
Na década de 1930, apesar das restrições à imigração judaica, os judeus continuaram a entrar na Palestina, procurando escapar do aumento da perseguição na Europa. A Quinta Aliah, de 1929 a 1939, era composta principalmente de judeus alemães, e a Aliyah Bet (1933 - 1948) consistiu principalmente de judeus que entraram ilegalmente na Terra de Israel/ Erets Israel, apesar das restrições britânicas. Mais uma vez, a rápida imigração levou a um aumento dos ataques árabes, culminando nos distúrbios árabes de 1936-1939.
Em 1936, os trabalhadores árabes organizaram uma greve com o objectivo de acabar com a imigração judaica, proibir a venda de terra na Palestina aos judeus e criar um estado palestino independente. A greve levou a uma revolta geral e a uma série de ataques contra cidades judaicas e moradores judeus. Os britânicos tentaram reprimir os atiradores árabes, mas, apesar dos seus esforços, e dos da Haganah e do Irgun, os combates duraram quase três anos. No final, mais de 400 judeus haviam sido mortos.


 

 "A Catástrofe de Tiberíades" - 1934

Um resultado dos tumultos foi a emissão do Livro Branco britânico, que essencialmente renegou os compromissos que a Grã-Bretanha havia feito na Declaração de Balfour, duas décadas antes, e que prometia estabelecer uma pátria para os judeus na Palestina.
A Grã-Bretanha afirmou que a criação de uma pátria judaica já não era uma prioridade, e a imigração judaica, apesar das atrocidades cometidas na Europa, permaneceu severamente limitada.
Enquanto a política da Agência Judaica era apoiar o governo britânico no conflito com a Alemanha, um grupo dissidente do Irgun formou sua própria organização militar, o Lehi, ou Grupo Stern, que lutou contra os britânicos em Israel. Após a Segunda Guerra Mundial, o Movimento de Resistência Judaica foi formado, e os ataques contra os britânicos aumentaram.
A política britânica de restringir a imigração a Israel, no entanto, à luz da tragédia do Holocausto, recebeu publicidade negativa, e no final da década de 1940, a Grã-Bretanha recomendou entregar o problema palestino à ONU. 



"A Terra de Israel Libertada" - 1919


Bibliografia:
Stand With Us.

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Myths and Facts

Filmes de:

Steven Spielberg Jewsih Film Archive


Bandeira da "Palestina" durante o Mandato Britânico. O nome Palestina-Eretz Israel, ou apenas Palestina, era sinónimo de uma nação judaica com mais de 3.000 anos de História. A soberania foi dado aos Árabes sobre mais de 96% do território anteriormente ocupado pelo Império Turco Otomano no Médio  Oriente. Os Judeus receberam a pequena Palestina, em reconhecimento dos seus laços históricos. Mas a obsessão do Mundo permanece esses 0,5% do Médio Oriente que Israel constitui.

Nunca existiu uma Palestina árabe ou muçulmana:

A Mentira Soviético-Palestina

terça-feira, 25 de outubro de 2016

História de Israel - O Mandato Britânico

Mais um post da série HISTÓRIA DE ISRAEL:
Dicionário Larousse, ano de 1939. Na página da esquerda, em cima, na bandeira da Alemanha, que era então a bandeira nazi, com a respectiva cruz suástica. E como era, em 1939, a bandeira da Palestina?
Era assim:
"Palestina" foi o nome  dado pelos ocupantes Britânicos à Terra de Israel. Nunca existiu nenhuma Palestina árabe. Israel é a terra dos judeus, desde há MILÉNIOS. Como Portugal é a terra dos portugueses, não importa quantos nomes tenha tido (Condado Portucalense, Reino de Portugal e dos Algarves, República Portuguesa) ou que tenha estado sob a soberania Espanhola.

Após a dissolução do Império Otomano, no final da Primeira Guerra Mundial, Israel, então chamado Palestina (o mesmo nome que os Romanos lhe tinham dado, derivado de Filistina/Terra dos Filisteus, povo já extinto ao tempo da ocupação Romana), tornou-se território administrado pelo Império Britânico. 

Os turcos-otomanos foram derrotados no início da Primeira Guerra Mundial, e a Palestina ficou sob controlo militar britânico enquanto a guerra durou. Os britânicos melhoraram a qualidade de vida dos judeus e dos árabes na então Palestina Britânica, melhorando o abastecimento de água e de alimentos, combatendo as doenças, e melhorando as comunicações. 

Em 1922, após a Primeira Guerra Mundial, a Liga das Nações deu formalmente o controlo temporário da Palestina ao governo britânico; o objectivo declarado da Liga das Nações para o Mandato Britânico era administrar partes do extinto Império Otomano, que tinha controlado todo o Médio Oriente desde o século 16, até que os residentes locais estivessem prontos para o auto-governo. 

Mapa da Terra de Israel desde 1516 - do domínio Turco-Otomano à actualidade.

A Grã-Bretanha foi incumbida de criar um lar nacional para o povo judeu. O trabalho da Grã-Bretanha foi o de implementar a Declaração de Balfour, que tinha sido assinada havia cinco anos, afirmando o desejo da Grã-Bretanha de criar uma pátria para os judeus na Palestina Britânica. O governo britânico, no entanto, fez promessas conflitantes aos judeus e aos árabes, prometendo a cada um a sua área autónoma. A elaboração do mandato e a demarcação das fronteiras de Israel foi um acto de equilíbrio delicado, cheio de conflitos. O Comité para a Palestina, por exemplo, opôs-se à frase invocando a "reivindicação" histórica do povo judeu na Terra Santa; a frase foi, consequentemente, reformulada.
O mandato foi finalmente ratificado em Junho de 1922. Durante os anos do Mandato, que durou de 1922 até à declaração de um Estado independente de Israel em 1948, a população judaica cresceu. Mais de 300.000 judeus imigraram para Israel, e estima-se que outros 50.000 imigraram ilegalmente. No início, os imigrantes não encontraram oposição da população árabe local. 

No entanto, como o anti-semitismo e a perseguição aos judeus a aumentavam na Europa, assim como o número de imigrantes para Israel, os árabes começaram a sentir-se desconfortáveis e ressentidos, e o governo britânico colocou limites estritos em matéria de imigração. As tensões aumentaram entre judeus e árabes, e ocorreram tumultos, como os motins Hebron, em 1929. 
Foi nessa época que a população judaica começou a formar as suas próprias forças de defesa, como o Haganah e o Irgun, que serviram de base ao IDF - Forças de Defesa de Israel. Ainda assim, um grande progresso foi feito em Israel. A economia do sector judaico foi crescendo, bem como outros aspectos da vida judaica. Um sistema de ensino centralizado foi criada em 1919; em 1920, a Federação de trabalho Histadrut foi fundada; o Instituto Technion e a Universidade Hebraica de Jerusalém foram ambos estabelecidos durante os anos de mandato. 

Plano de Partição da Palestina Britânica em 1922: 77% para os invasores árabes e 23% para os nativos judeus. A percentagem viria a ser ainda mais alterada a favor dos árabes. Mas nunca chega. O objectivo do mundo islâmico e da esquerda são os 0% de território e os 0% de judeus no Mundo.

Na sequência de revoltas árabes, entre 1936 e 1939, a Grã-Bretanha emitiu o Livro Branco, essencialmente renegando os princípios estabelecidos no Mandato, bem como a Declaração de Balfour. Severas restrições foram colocadas sobre a imigração judaica, bem como sobre os direitos de propriedade de terras judaicas. 

Durante os anos da II Guerra Mundial, a pequena quota foi rapidamente atingida, e os judeus que fugiam do Holocausto foram impedidos de entrar em Erets Israel, então chamada a Palestina Britânica. 

A opinião pública judaica voltou-se contra os britânicos, e as organizações clandestinas de defesa judaicas realizaram ataques contra os britânicos. A proibição de imigração permaneceu em vigor, mas o mandato foi-se tornando cada vez mais impopular. 

Após a Segunda Guerra Mundial, as Nações Unidas (a antiga Liga das Nações), adoptou o Plano de Partilha, essencialmente dividindo a Palestina Britânica em um Estado árabe e um Estado judeu, com Jerusalém sob controlo internacional. Isto levou a Grã-Bretanha a terminar o seu mandato e Israel a declarar sua independência em Maio de 1948.

Bibliografia:
Stand With Us.

Jewish Virtual Library

Myths and Facts
 Em caso de dúvida, (re)leia:

Mas afinal quem são os "palestinos"?

e




Israel - O Nascimento de uma Nação


 

sábado, 15 de outubro de 2016

História de Israel - O Holocausto



O Holocausto refere-se ao assassínio de milhões de judeus por Adolf Hitler e pelos nazis, antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Os judeus às vezes referem-se ao Holocausto como a Shoah, que significa "catástrofe terrível".

Motivado por um ódio fanático aos judeus e por um desejo louco de livrar a sociedade do que considerava elementos "indesejáveis", o regime nazi que governou a Alemanha durante metade do século XX, envolveu-se num esforço sistemático e brutal para destruir o povo judeu. 

Começaram gradualmente, com restrições legais agressivas, tais como as Leis de Nuremberga, promulgadas em 1935, que restringiram as liberdades dos judeus e reduziram-nos ao nível de cidadãos de segunda classe.

No auge da febre de assassínio e da opressão nazi, no início dos anos 1940, os judeus de toda a Europa foram presos e enviados para campos de concentração, onde viviam em condições deploráveis ​​e foram mortos aos milhares em câmaras de gás. 

A campanha implacável dos nazis para acabar com toda a população judaica da Europa quase teve êxito. Até o final da Segunda Guerra Mundial, seis milhões de judeus haviam sido mortos - cerca de um terço da população judaica do mundo nessa época.

Infelizmente, grande parte do mundo olhou para o outro lado quando lhe apresentaram evidências dos crimes nazis. O esforço nazi para desumanizar os judeus aos olhos do público - para os apresentar como forças do mal, corrompendo a pureza da sociedade europeia, foi bastante bem sucedido, e permitiu que os nazis capturassem e matassem os judeus sem despertar a indignação pública generalizada.



Finalmente, em 1945, as tropas aliadas derrotaram o exército alemão e libertaram os campos de concentração, vendo em primeira mão os horrores inimagináveis ​​que tinham sido infligidos às vítimas de Hitler, e libertando milhares de prisioneiros sobreviventes que estavam quase mortos.

Os judeus foram transferidos para zonas de ocupação americanas, britânicas e soviéticas, onde viveram até que tiveram lugares seguros e estáveis ​​para onde ir. Muitos foram para a Terra Santa, na esperança de que um Estado judeu seria estabelecido - uma esperança que foi realizado em 1948, com o nascimento do moderno Estado de Israel.

Porque o impacto do Holocausto foi tão devastador e teve tanto impacto, a maioria dos judeus de hoje considera-se como sobrevivente do Holocausto. Por esta razão, sentem um pesado fardo e a grande responsabilidade de contar e recontar a história desses anos excruciantes.

Eles esperam que, ao tornar a História conhecida, ajudar a garantir que tal tragédia nunca acontecerá novamente. Com o actual ressurgimento do anti-semitismo, as ameaças à nação judaica que vêm de líderes muçulmanos radicais, como os do Irão, e as ameaças terroristas contínuas a Israel e às comunidades judaicas em todo o mundo, os judeus sabem que, por mais doloroso que possa ser, lembrar o Holocausto é essencial.

Se de facto é verdade que "aqueles que não se lembram o passado estão condenados a repeti-lo", é extremamente importante para eles - e para todos nós - permanecermos vigilantes.

Bibliografia:
Stand With Us.

Jewish Virtual Library



Eu jurei nunca me calar, sempre e onde quer que haja seres humanos sujeitos a sofrimento e humilhação. Devemos sempre tomar partido. A neutralidade joga a favor do opressor, nunca da vítima. O silêncio encoraja o atormentador, nunca o atormentado!
- Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto.

 NÃO DEIXE DE VISITAR:




O HOLOCAUSTO DOS CRISTÃOS, HOJE!
Temos também uma pequenina secção dedicada ao Holocausto neste blogue.
Uma das características que nos intrigam, na época que a Humanidade presentemente vive, é o frenesim de ódio e loucura em que muitas pessoas ficam quando se refere o Holocausto dos judeus (a que este post faz referência) ou o Holocausto dos cristãos (actualmente a decorrer):

Administração Obama na vanguarda da jihad global

Os "refugiados" e o Holocausto dos Cristãos

 
 

Não podemos ficar comodamente, hipocritamente, quietos e calados, enquanto o Mundo arde e os inocentes ardem literalmente com ele.
Temos TODOS que ajudar a transformar a Escuridão em LUZ:

domingo, 3 de julho de 2016

História de Israel - O Sionismo Moderno (3)

 Conclusão de:

História de Israel - O Sionismo Moderno (1)

História de Israel - O Sionismo Moderno (2)



BILU - Pioneiros judeus da Diáspora regressam a Israel

Um dos grupos de judeus que fugiram aos pogroms russos indo para Israel, chamava-se "Bilu". O nome é um acrónimo de um versículo de Isaías 2, que exorta a "Casa de Jacob" a "ascender". O objectivo do Bilu foi restabelecer uma comunidade judaica forte em Israel, e, assim, trazer a "redenção".
O primeiro grupo de Biluim foi fundado por um grupo de estudantes universitários que viajou para a Terra de Israel, ainda sob domínio Otomano, em 1882. Rapidamente se lhes juntou o grupo Hovevei Zion e estabeleceu a cooperativa agrícola de Rishon LeZion.

A História da Terra de Israel em gráfico, a partir de 1516 e do domínio Turco Otomano, até aos dias de hoje.
Embora inicialmente os esforços agrícolas tivessem falhado, devido à falta de água potável, o Barão Rothschild interveio e financiou uma adega em Rishon, que acabou por se tornar um negócio rentável. Rothschild também ajudou os Biluim a estabelecerem a cidade de Zichron Yaacov.

"Nenhuma Civilização ainda o alcançou, nem conseguimos ainda vislumbrar os dia da Era Messiânica, quando toda a Humanidade viverá em fraternidade e concórdia. Até lá, as nações devem dirigir as suas aspirações a um 'modus vivendi' tolerável" -  Leon Pinsker

Leon Pinsker, um médico polaco e Sionista que viveu em meados de 1800, inicialmente tinha sido convencido pelo movimento Iluminista de que a solução para o anti-semitismo era a assimilação. No entanto, a onda de pogroms russos na década de 1870 e 1880 mudou o seu pensamento, e tornou-se um defensor de um Estado judeu, afirmando que os judeus, perpetuamente sem-tecto, perseguidos durante séculos, só poderiam encontrar a paz na Terra de Israel.
O seu livro, "Auto Emancipação", ao contrário de Hess (ver posts anteriores), fez um splash e provocou reacções fortes. Pinsker tornou-se também um dos fundadores do movimento Hovevei Zion, financiado pelo Barão de Rothschild.
A fim de ser formalmente reconhecido pelo governo russo, o movimento tornou-se uma instituição de caridade, a "Sociedade de Apoio aos agricultores e artesãos da Síria e Eretz Israel judeu", mais tarde conhecida como o Comité de Odessa. A comissão foi dedicada à promoção da agricultura de Israel, e ajudou a estabelecer a comunidade de Rehovot e Rishon LeZion, entre outras.

1922 - Veteranos da "aliyah", ou aliá, comemoram a fundação de Rishon LeZion.

Estes Sionistas iniciais, conhecidas como "Proto Sionistas", abriram o caminho para as ondas maciças de imigração para Israel, de judeus da Diáspora que se foram juntar aos seus irmãos judeus que sempre viveram em Israel. O regresso do povo judeu à sua Terra ancestral chama-se "aliyah", a partir da palavra Hebraica "ascender" - a partir do final do século 19.

Bibliografia: Stand With Us.

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Com o desmoronamento do Império Turco Otomano, todo o mapa do Médio Oriente foi redesenhado. Apenas a existência do pequeno Estado de Israel (o único que não é muçulmano - ó que surpresa...) é contestada!
- Estes três singelos posts sobre o Sionismo não pretendem, nem de longe, esgotar o tema. Servem como convite às pessoas de boa-vontade para que aprofundem o estudo da História de Israel. Numa velha estratégia nazi/comunista, de demonização dos judeus, o termo "Sionismo" tem ganho conotação negativa. Sionismo é apenas o nome do movimento que defende o direito de o povo judeu viver LIVRE na sua Terra ancestral. Como qualquer outro povo do Mundo. Não é por acaso que os povos nativos que ainda não reconquistaram a sua soberania (vide por exemplo o Tibete) são profundamente Sionistas.